10 de jan. de 2013

.. continuando ..

    Em 2006 quase fiquei presa na catraca de um ônibus.
    A princípio achei que aquele modelo de ônibus tinha uma catraca mais estreita que o normal. Depois analisando a situação, me dei conta de que mesmo q a catraca fosse menor, ainda assim só eu quase fiquei presa. Então EU estava fora dos padrões de passageiros. Mas reparei q em 2006 já tinham acentos reservados para obesos na parte da frente dos ônibus e passei a me sentar e descer pela frente.
    Isso não me incomodava, até que percebi não ser uma coisa muito certa, eu poderia mudar essa situação. Poderia fazer um programa alimentas, entrar numa academia, mudar meu ritmo de vida, as possibilidades eram infintas. Então decidi começar por cortando nossas guloseimas de final de semana, tipo pizza e lanches, e procurar uma academia. Mas meus horários eram complicados.
    Eu moro há 20km do Centro de Florianópolis, onde trabalhava como manicure das 9:00 as 19:00 e cursava Técnico em Podologia no Senac das 19:30 até as 22:30. Então meu dia começava as 6:00 e terminava as 23:30, sendo que meus filhos Pedro e Paulo, tinham 6 e 2 anos respectivamente. Meu marido ajudava muito no cuidado com eles, eu praticamente dormia em casa, nada mais que isso. Então exercícios físicos ficou para domingo, pois no salão meu trabalho também se estendia aos sábados.
    Aí se instalou em mim uma coisa muito feia, um pecado horroroso que é a tal da preguiça, onde não me deixava sair de casa no meu único dia de folga. Folga da aula e do salão, mas em casa a lida continua, casa pra arrumar, roupa pra lavar, passear com as crianças, enfim, mas sempre cuidando da alimentação. Não emagreci nada, mas também não aumentei.
    Em 2008 terminei meu curso de Podologia e meu marido passou a estudar a noite, precisando que eu ficasse com as crianças, com isso continuei sem tempo. Ou sem conseguir separar tempo para atividade física. Percebi que nesses 2 anos eu aumentei 8k, achei demais e entrei num grupo de nutrição do posto de saúde perto de casa. Recebi uma tabela de pontos, onde tinha q escolher o que iria comer até determinado ponto por refeição. Nas primeiras semanas foi tudo muito bem, mas fiquei desmotivada pelo fato de quem não perdia peso tinha que usar um nariz de palhaço durante a reunião. Não cheguei a usar, mas me apavorava a ideia, então deixei de ir e não quis mais saber de dietas, nem de reeducação alimentar, nem de nada disso tudo. Pensava que as pessoas me gostavam do jeito que eu era e se minha saúde era boa (coisa que sempre foi) então não tinha motivos para mudar meu corpo.

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